terça-feira, 29 de novembro de 2016

Você não escolheu seu parceiro por acaso

Quem nunca em algum momento não se perguntou: por que eu escolhi essa pessoa para passar o resto da minha vida? Eu compartilho com a teoria de alguns autores que argumentam que a nossa escolha não é genuína, não escolhemos o nosso parceiro por acaso. Percebo isso na prática clínica, sem perceber, os indivíduos acabam por encontrar parceiros com as características predominantes das pessoas que as criaram. Tenta-se resgatar as experiências infantis, as memórias registradas na mente, buscando encontrar a atmosfera da infância. Na verdade essa busca é uma enorme necessidade de curar velhas feridas. Isso porque por mais atenciosos e dedicados que sejam os pais, eles não conseguem satisfazer todas as necessidades dos filhos durante a vida.
O bebê quando ainda está no ventre da mãe, tem todas as suas necessidades atendidas. Nos primeiros meses de vida, ele ainda não consegue distinguir entre ele e o resto do mundo. Mas, se observamos quando o bebê está sendo alimentado ou trocado, ele demonstra total satisfação, pois está com todas as suas necessidades físicas supridas. Quem já pode observar, percebeu aquele rostinho lindo, com um leve sorriso de canto demonstrando satisfação.
Apesar de não nos lembrarmos disso, fica uma lembrança remota, uma sensação de satisfação plena, e é essa sensação que queremos resgatar na vida adulta.

O que tudo isso tem a ver com a escolha do parceiro?

Acredito que as pessoas entram no relacionamento esperando que seus parceiros as façam sentir novamente essa sensação. Mas, muitas vezes eles não conseguem e, talvez, essa seja a razão da infelicidade presente em tantos relacionamentos. Além disso, existem também aquelas crianças que tiveram experiências dolorosas no inicio da vida, elas carregam suas lembranças ruins para a vida adulta e quando encontram um parceiro poderá demonstrar atitudes de isolamento, fundindo-se com ele, sem saber onde ela termina e o outro começa. Sem saber o que é dela ou o que é do outro. Essa falta de limites poderá acarretar constantes problemas no casamento.
A pessoa eleita pelo parceiro, em muitos casos, pode se assemelhar com a mãe, com o pai, ou com aqueles que os representaram. Os pais podem ter atendido muito das nossas necessidades, ou algumas delas, mas todos nós crescemos conhecendo a angústia das necessidades não satisfeitas, e essas necessidades nos acompanham relacionamento adentro.
Sem a experiência de uma vida em conjunto não existe desenvolvimento. A cumplicidade, a entrega no relacionamento pode trazer a tona os conflitos internos, bloqueados há tempos.  Devemos buscar o autoconhecimento, identificar as nossas dificuldades, conhecer o nosso valor, as nossas qualidades para buscarmos uma relação saudável e estável.

Na psicoterapia de casal um dos objetivos é desenvolver a saúde emocional dos pares, visando possibilidades de transformação e trabalhando para se obter um vinculo harmonioso na relação.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Quando se deve procurar por terapia de casal?

“É ela que tem que mudar não eu...depois que eu for embora, não adianta ela querer que eu volte dizendo que vai mudar.”
“Ela me pergunta no que uma terapia vai poder nos ajudar? Ela acha que é uma tolice, perda de tempo e dinheiro.”
“Eu tenho certeza que ele está me traindo, eu sei....o pai  dele é igual.”

Como terapeuta de casal é comum eu ouvir falas como essas em meu consultório. Ocasionalmente, um dos conjugues denuncia o sofrimento, enquanto o outro demostra um comportamento de indiferença, algumas vezes não valorizando a queixa do parceiro. Contudo, decidir ir a um atendimento de casal não resolve o problema, o mais importante é ter o desejo, querer ser um agente de mudança, olhar para si e para o outro de forma diferente. É encontrar motivação, disposição que na maioria das vezes já não se tem.
O desejo e a disposição do casal são essenciais para trabalharem a relação. É preciso ter coragem, pois não é fácil. Porém, quando me deparo com casais que estão dispostos a assumirem a sua parcela de culpa, tentando entender a origem dos seus conflitos, buscando novas alternativas, é gratificante ver a mudança e a transformação da relação. Confesso que fazer Terapia de Casal é um trabalho árduo, porém, os resultados são fantásticos. Ver a alegria e a esperança renovada nos olhos daqueles que conseguem superar suas dificuldades e conflitos não tem preço.

Então como sei se é hora de buscar ajuda na Terapia de Casal?

Listamos abaixo alguns indicativos que podem ser um sinal de que você deve procurar ajuda. Conforme o autor Cardiolli (1998), essas são algumas indicações:

- Conflitos importantes nas relações interpessoais, que se agravam com o tempo;
- Padrões de interação destrutiva que podem levar a violência ou à quebra da relação;
- Dificuldades de intimidade, envolvendo a comunicação de afetos e sentimentos, companheirismo, planejamento da vida em comum, troca de papéis;
- Disfunções que surgem em função de mudanças de um dos parceiros: mudança profissional (ascensão, perda de emprego), mudança de características de personalidade pelo próprio crescimento pessoal ou em consequência de terapia.
- Disfunções sexuais: vaginismo, anorgasmia, ejaculação precoce, desejo diminuído ou insatisfação com o desempenho do companheiro, que não se resolve com o passar do tempo (Rolland, 1995; Waldemar, 1993 aput Anton, 2009).
 

Se o seu relacionamento apresenta alguns desses problemas, então é hora de buscar ajuda.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

CRIANÇAS HIPERATIVAS


Quando minha mãe me levou ao médico me avaliar, pois eu não parava quieta, falava demais na sala de aula (terminava a lição e ficava conversando com os colegas) e não pegava no sono logo.

Com esses sintomas provavelmente teria um diagnóstico de Trastorno de Déficit de Atenção e Hiperatavidade (TDAH, pois os sintomas do TDAH são esses:
sintomas de hiperatividade; além disso os sintomas devem manifestar-se em pelo menos dois ambientes diferentes e por um período superior a seis meses.[1]

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Você já pensou qual é o tipo de intimidade que você tem com seu parceiro? 

Você já imaginou um casal sem intimidade? 
Obviamente essa relação tem os seus dias contados para chegar à falência. Pois um relacionamento saudável é aquele que os parceiros gozam de uma intimidade prazerosa. E essa intimidade prazerosa não está associada à intimidade sexual.
Quando duas pessoas estão envolvidas num relacionamento, elas buscam ansiosamente por intimidade. Mas será que estamos de fato preparados para usufruirmos de uma verdadeira intimidade?
No primeiro momento sim, mas, a relação íntima exige entrega total e confiança de ambas as partes. Conforme a relação vai se tornando mais intensa ou íntima, precisamos mostrar como realmente somos, nossos anseios e fragilidades, tornando-nos nu diante do outro. E isso pode assustar alguns, visto que vivemos numa sociedade em que a confiança é colocada em xeque.