Quem nunca em algum momento não se perguntou: por que eu
escolhi essa pessoa para passar o resto da minha vida? Eu compartilho com a
teoria de alguns autores que argumentam que a nossa escolha não é genuína, não escolhemos
o nosso parceiro por acaso. Percebo isso na prática clínica, sem perceber, os
indivíduos acabam por encontrar parceiros com as características predominantes
das pessoas que as criaram. Tenta-se resgatar as experiências infantis, as memórias
registradas na mente, buscando encontrar a atmosfera da infância. Na verdade
essa busca é uma enorme necessidade de curar velhas feridas. Isso porque por
mais atenciosos e dedicados que sejam os pais, eles não conseguem satisfazer
todas as necessidades dos filhos durante a vida.
O bebê quando ainda está no ventre da mãe, tem todas as suas necessidades
atendidas. Nos primeiros meses de vida, ele ainda não consegue distinguir entre
ele e o resto do mundo. Mas, se observamos quando o bebê está sendo alimentado
ou trocado, ele demonstra total satisfação, pois está com todas as suas
necessidades físicas supridas. Quem já pode observar, percebeu aquele rostinho
lindo, com um leve sorriso de canto demonstrando satisfação.
Apesar de não nos lembrarmos disso, fica uma lembrança remota,
uma sensação de satisfação plena, e é essa sensação que queremos resgatar na
vida adulta.
O que tudo isso tem a ver com a escolha do parceiro?
Acredito que as pessoas entram no relacionamento esperando
que seus parceiros as façam sentir novamente essa sensação. Mas, muitas vezes eles
não conseguem e, talvez, essa seja a razão da infelicidade presente em tantos
relacionamentos. Além disso, existem também aquelas crianças que tiveram
experiências dolorosas no inicio da vida, elas carregam suas lembranças ruins
para a vida adulta e quando encontram um parceiro poderá demonstrar atitudes de
isolamento, fundindo-se com ele, sem saber onde ela termina e o outro começa. Sem
saber o que é dela ou o que é do outro. Essa falta de limites poderá acarretar constantes
problemas no casamento.
A pessoa eleita pelo parceiro, em muitos casos, pode se
assemelhar com a mãe, com o pai, ou com aqueles que os representaram. Os pais
podem ter atendido muito das nossas necessidades, ou algumas delas, mas todos
nós crescemos conhecendo a angústia das necessidades não satisfeitas, e essas
necessidades nos acompanham relacionamento adentro.
Sem a experiência de uma vida em conjunto não existe
desenvolvimento. A cumplicidade, a entrega no relacionamento pode trazer a tona
os conflitos internos, bloqueados há tempos.
Devemos buscar o autoconhecimento, identificar as nossas dificuldades,
conhecer o nosso valor, as nossas qualidades para buscarmos uma relação
saudável e estável.
Na psicoterapia de casal um dos objetivos é desenvolver a
saúde emocional dos pares, visando possibilidades de transformação e trabalhando
para se obter um vinculo harmonioso na relação.
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